Plantão médico

Com saúde não se brinca, é o que dizem por aí. Mas nem sempre as pessoas conseguem cuidar de si da maneira mais apropriada. Certa vez fui passar o fim de semana em Ilhabela, quando fui surpreendida por uma virose. Sem saber o que fazer, liguei para o meu médico em Mogi, que achou melhor que eu fosse para o hospital para ser medicada e tomar soro, para hidratar.

E lá fui eu, passando mal como nunca, à uma da manhã, em busca de atendimento médico. Se eu consegui? Depois de fazer a ficha, fui encaminhada para a sala de espera do Hospital Municipal de Ilhabela. A atendente disse que a espera seria de uns 15 minutos, pois só havia um médico de plantão e ele estava fazendo uma sutura.

E foi aí que eu tive meu primeiro contato com o sistema público de saúde. Nas outras vezes que tive problemas, tinha sempre uma saída, ou um plano de saúde para ajudar.

Ao chegar na sala de espera havia, pelo menos, umas cinco pessoas aguardando atendimento. A maioria já estava lá há mais de quatro horas. Não havia um paciente para ser costurado, mas três. Um senhor que estava com a perna inchada, uma moça que estava visivelmente passando mal e uma moça com um bebê de um ano, que havia sido picado por algum inseto e estava tendo uma reação alérgica.

A última da fila era eu… até que chegou a gestante. Gestantes sempre são prioridade, em qualquer lugar, porque ainda que não estejam em trabalho de parto, o alarme falso já conta como um sinal de alerta.

O senhor com o pé inchado foi o primeiro a desistir. Depois de pouco mais de uma hora, foi a minha vez, junto com a moça do bebê. Na saída, ela contou que, quando entrou em trabalho de parto, ficou esperando por horas no corredor do hospital. Nada havia mudado desde então.

E, apesar de estar passando muito mal, eu me senti pior por aquelas pessoas que não tinham escolha. Eu só estava por lá de passagem, no dia seguinte voltaria para Mogi e teria acesso a uma boa infraestrutura, particular ou não. Muitas vezes a gente reclama tanto, que esquece de dar o devido valor para as coisas que temos aqui.

Pode ser que, muitas vezes, o atendimento seja deficiente nos hospitais e serviços públicos de saúde. Mas eles existem e não são únicos. Existe postos de saúde 24 horas, Pró-Mulher, Pró-Criança, hospitais com uma boa equipe, infraestrutura adequada… E, se nada disso der certo, estamos do lado de São Paulo.

No dia seguinte, depois de pegar quase três horas de estrada, consegui chegar a Mogi para ir ao hospital e receber o atendimento necessário. Mas, e as pessoas que ficaram para trás? Fiquei imaginando o que acontece com as pessoas que passam por situações mais graves, emergências reais.

Como será que elas resolvem seus problemas, tendo acesso a um único hospital, que em um fim de semana conta com um único plantonista para atender o que vier?

Será que o bebê, que havia sido picado por um inseto e teve uma reação alérgica ficou bem? Será que a gestante conseguiu dar à luz de maneira tranquila e com a assistência necessária? E o senhor com o pé inchado? Eu nunca vou saber.

 


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