Reflexões sobre uma dieta

O preço da boa forma é a eterna vigilância…

Em quase 31 anos de vida, tenho lutado contra a balança desde que me entendo por gente. É lugar comum dizer que, nesta guerra enfrentada por tantas outras pessoas, já perdi muitas batalhas. A maioria delas. Ganhei algumas poucas, mas não é preciso dizer que, se estas vitórias tivessem sido duradouras, eu não estaria aqui hoje para, de novo, tentando domesticar minha mentalidade de gordinha rebelde.

Em pelo menos duas décadas de dietas consegui constatar aquilo que parece ser óbvio para alguns: milagres não existem. Pode apelar para o santo que quiser. Ninguém vai dormir à noite gordinho e acorda, na manhã seguinte, com 20 quilos a menos. É preciso muito, mas muito trabalho, mesmo. E, cá entre nós, em se tratando de dietas, o hábito de apelar para um ou outro santo de sua preferência só serve mesmo para pedir força de vontade para não desistir e paciência, muita paciência.

Paciência para emagrecer de maneira saudável – o que pode ser traduzido como “emagrecimento a longo prazo”, com uma reeducação alimentar. Paciência para aguentar a academia, já que exercício físico é outro item fundamental para o sucesso do emagrecimento. Paciência para lidar com as pessoas que não têm nada a ver com o nosso mau humor, aquele mesmo, decorrente do corte brusco de seus alimentos favoritos – no meu caso, o chocolate. Paciência, pai, paciência.

Ah, quase que eu me esqueço. A Santa Trindade da dieta só fica completa com outra palavra: resistência. Resistência para não cair na tentação das guloseimas, das pessoas que insistem em sabotar nossas dietas. Resistência aliada à disciplina para darmos continuidade à maratona de exercícios. Resistência para comer apenas um. Resistência para não repertir um prato. Resistência para dizer não se você sabe que não conseguirá resistir ao se permitir uma primeira mordida, garfada ou gole.

Fato é que todo mundo sabe, lá no fundo, que não adianta ter ideias mirabolantes. Remédios, cirurgias indiscriminadas, dietas de líquidos, frutas ou qualquer coisa que seja restritiva demais são sinônimos de problemas.

Hoje em dia, na chamada era da informação, é fácil encontrar fórmulas. Quantos sites, blogs, revistas e programas você conhece que sempre falam do mesmo assunto? Dieta, dieta, dieta. São milhões. E por que eles têm tanto espaço? Porque a obesidade é um mal do mundo contemporâneo, que só pode ser comparado a outro grande mal, também iniciado pela letra O: obsessão.

Obsessão por uma aparência de diva de cinema, que nunca vamos ter. Uma magreza de modelos, que nunca vamos atingir. Ainda bem. Já pensou viver a vida inteira tendo como único recurso a beleza – ou a magreza? Chega a me dar calafrios.

É por isso mesmo que eu não estou aqui para dar fórmulas milagrosas. Estou aqui para lembrar a você, leitor(a) acima do peso, que em vez de só pensarmos nos resultados (ou em metas impossíveis), o melhor a fazer é encarar a dieta como uma viagem de autoconhecimento, o que me parece ser um bom começo. Com tentativas, erros e acertos.

Cada um tem de fazer a sua própria, se quiser chegar a algum lugar. Agora, com licença, que eu vou começar a minha. Afinal, o verão está dobrando a esquina, ali na frente.


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