Identidade

Há algumas semanas, durante uma entrevista com a arquiteta Maria de Lúcia Freitas, chefe da Divisão do Patrimônio Histórico e Conhecimento da Secretaria Municipal de Cultura, um dos assuntos que surgiu foi a identidade de Mogi das Cruzes. Apesar deste não ter sido o tema principal da matéria que resultou deste encontro, nossa conversa me deu muito no que pensar. Ainda mais se levarmos em conta que, no próximo dia 1º de setembro a Cidade completa 449 anos para, ao mesmo tempo, iniciar a contagem regressiva para os 450 anos.

O primeiro passo foi refletir sobre a questão cultural. A grosso modo, cultura é o conjunto de ações sociais desenvolvidas por determinado grupo de pessoas em determinado lugar. Isso inclui desde crenças, comportamentos, valores, instituições, regras e costumes que identificam uma determinada sociedade. Ou seja, nossa cultura é a nossa identidade.

Mas, qual a identidade de Mogi das Cruzes?

Talvez não exista uma única resposta para esta questão. Mas, seria um bom começo encararmos a identidade de Mogi das Cruzes como um quebra-cabeças, formado pelos mais variados elementos. Elementos que, de maneira isolada, não parecem fazer sentido para muitas pessoas, mas que juntos tornam a nossa Cidade única.

Uma característica marcante do Município é o seu lado caipira, geralmente lembrado em festas religiosas – como a de São Benedito e do Divino Espírito Santo. Tradições como a Entrada dos Palmitos, Alvorada e a quermesse – não importa o quanto ela cresça – nos mantêm conectados com a inocência do passado. E há também as cores das bandeiras e do artesanato, os sabores do churrasco e do tortinho. Quem consegue ficar imune ao espetáculo anual do preparo dos doces, a abóbora sendo apurada em tachos gigantes, num trabalho que mobiliza devotos de todas as idades?

Outro ponto que é sempre lembrado quando o assunto é Mogi das Cruzes é sua localização. Bem no meio do caminho entre São Paulo e o litoral. Tem a Mogi das Cruzes de Isaac Grinberg, sempre citado pelo trabalho que fez na reconstituição histórica e fotográfica do Município. Ou a Cidade que guarda o tesouro natural da Serra do Itapety, a reverência das Igrejas do Carmo, a arte de nobres cantores, compositores, músicos, escritores, atores, bailarinos, artistas plásticos, realizadores ou incentivadores de qualquer manifestação cultural.

Nossa Cidade também tem a voz dos Canarinhos do Itapety – e de tantos outros corais que ecoam pelos mais diversos cantos -, tem a música das fanfarras, das bandas, das orquestras sinfônicas.

Se me perguntassem qual a identidade de Mogi das Cruzes, talvez hoje, e somente hoje, eu respondesse que nós, mogianos de nascença ou por opção, somos as peças do tal quebra-cabeças que forma esta Cidade. É com a nossa história que fazemos a história do Município.

De qualquer maneira, não precisamos responder isso agora. Por enquanto, é apenas mais um tema para reflexão, já que o aniversário da Cidade está aí, dobrando a esquina.


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