Fim de ano

De repente, é inevitável chegar à conclusão de que o fim de ano já chegou. Se não chegou, está dobrando a esquina. As pistas são bastante claras: as lojas começam a contratar funcionários temporários, de olho no aumento das vendas de Natal. O horário de verão começou à meia-noite do último sábado, lembrando muita gente que as férias também estão próximas.

Nas escolas, as provas bimestrais estão sendo marcadas, enquanto os alunos que estão concluindo o ensino médio enfrentam um turbilhão de emoções com os vestibulares, o estresse do exame do Enem que deveria ter sido e não foi, a expectativa da formatura e o desafio de encarar uma nova fase da vida adulta, desta vez longe de amigos que os acompanharam por quase toda a existência.

Quem se forma nas universidades também está prestes a concluir um capítulo para iniciar outro. E todas as mudanças, ainda que muitas delas assim não pareçam, são boas. Trazem novas experiências, nos ajudam a amadurecer, nos ensinam a ter esperança.

O fim de ano marca o fim de um ciclo de 365, às vezes 366 dias. De 52 semanas. Doze meses. Tempo o suficiente para viver, aprender, planejar, executar. Tempo o suficiente para ser surpreendido ou para surpreender os outros. Para trabalhar muito, descansar um pouco e depois começar tudo de novo.

Não vai demorar muito agora e a Cidade logo estará enfeitada para as festas de fim de ano. A paisagem cinza ganhará toques de vermelho, verde e dourado, cores características do Natal. As pessoas se sentirão mais sensibilizadas, dispostas a ajudar uns aos outros. E aqueles que precisam de ajuda poderão sonhar mais alto, esperançosos de que cada um se torne um ajudante de Papai Noel.

Campanhas que nos dão a oportunidade de ajudar – especialmente aqueles que querem colaborar mas não sabem por onde começar – não faltarão. A Natal Presente é um exemplo, que nos últimos anos tem beneficiado milhares de crianças, não só de Mogi das Cruzes, mas de todo Alto Tietê.

E a música? São tantos os corais da Cidade que preparam belíssimas cantatas de Natal. É o caso do Coral do Carmo, do Coral Cáritas, do Santa Mônica, 1º de Setembro e dos Canarinhos do Itapety, para citar apenas alguns. No ano passado, assistindo a uma destas apresentações, um senhor sentado ao meu lado não conseguiu conter as lágrimas e declarou: “Esta música é tão pura que nos eleva a alma”. É verdade, eleva mesmo. Mas eleva porque estamos predispostos a isso.

Estamos mais abertos às coisas boas, de dar e receber. De nos lembrarmos de fatos e pessoas que já se foram. De momentos que, bons ou ruins, deixaram saudade. E isso é uma característica do tempo, especialmente no fim de ano. Todas as feridas são cicatrizadas, independentemente de levarem mais ou menos tempo.

O fim do ano desperta a solidariedade que existe em cada um de nós. Então, vamos aproveitar que outubro está quase no fim e vamos ensaiar a cortesia, as palavras amáveis, o respeito, a gentileza e a consideração com o outro que somente nos lembramos que existe ao longo do mês de dezembro. Quem sabe se praticarmos bastante no nosso dia a dia, este sentimento não perdure por mais tempo e dure um ano inteiro.


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