“Então é Natal, e o que você fez?/ O ano termina, e nasce outra vez/ Então é Natal, a festa Cristã/ Do velho e do novo, do amor como um todo/ Então bom Natal, e um ano novo também/ Que seja feliz quem souber o que é o bem/ Então é Natal, pro enfermo e pro são/ Pro rico e pro pobre, num só coração/ Então bom Natal, pro branco e pro negro/ Amarelo e vermelho, pra paz afinal/ Então bom Natal, e um ano novo também/ Que seja feliz quem souber o que é o bem…”
Estes versos fazem parte de uma música chamada Então é Natal, uma versão em português de Claudio Rabello para a Happy Xmas (The War is Over), de John Lennon. Tanto a tradução quanto a letra original são muito bonitas, com mensagens de amor e paz, tão características desta época do ano. Cabe até voltar a questionar por aqui, pela enésima vez, por que só nesta época do ano que nos sentimos mais dispostos à solidariedade, ao amor, à paz… E mais uma vez, eu não tenho a resposta.
Nas últimas semanas, fomos bombardeados com tantas propagandas nos impelindo a gastar, gastar e gastar, comprar, comprar, comprar, como se fosse possível comprar solidariedade, paz, amor… As melhores coisas do Natal não estão à venda.
Talvez tenha sido isso que motivou, no ano passado, uma brincadeira sugerida pelo meu primo, Juliano, para a festa de Natal de nossa família. Ele sugeriu que cada um de nós fizesse um presente, que seria sorteado na hora. O significado desta ideia estava no fato de, apesar de todo o consumismo, todos nós investiríamos algum tempo e dedicação para presentear o outro.
Alguns usaram seus talentos – minha mãe, por exemplo, fez uma disputadíssima cesta de pães de mel, minha avó tricotou uma touca… – outros, apelaram para o Google, como a minha tia Bibi. Ela encontrou um passo-a-passo na internet para fazer uma caixa utilizando a técnica da decupagem Sem nunca ter feito artesanato na vida, ela fez uma caixa enfeitada com fotos da família.
As fotos da família, aliás, foram o principal na maioria dos presentes. Lorenzo, por enquanto o mais jovem membro da família, com seus dois anos, foi a estrela de porta-retratos dos mais variados tipos. Afinal, é só perguntar para ele: “Lô, quem é a pessoa mais amada da família?”, ao que ele responde sem pestanejar: “É o nenê”.
Pode parecer que utilizar as fotos tenha sido uma saída fácil para alguns. A verdade, no entanto, é que nós damos tanta importância uns para os outros que os presentes feitos a partir de foto traduziam o carinho e apreço que existe entre nós.
O que eu fiz? Bom, eu também apelei para as fotos. Fiz um calendário de mesa, bem artesanal mesmo, e cada mês do ano era ilustrados pelos aniversariantes daquele mês. E março, único mês que não temos aniversariantes na família, coloquei uma foto de todos juntos. Ficou bacana. O que me faz lembrar que minha mãe pediu que eu fizesse um igual para ela… o ano passou, e eu ainda não consegui fazer. Quem sabe para 2010?
Então é isso. É Natal, tempo de estarmos juntos com aqueles que amamos. E de nos lembrarmos que o verdadeiro espírito de Natal é aquele que dura o ano inteiro. Feliz Natal a todos!
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