Mogi e o trânsito

Sinal vermelho. Pare e reflita. O que você pensa sobre o trânsito em Mogi das Cruzes? Péssimo. Ruim. Regular. Bom. Muito bom. Excelente. Tudo depende do ponto de vista. Comparado a que, questionaria um professor de Física que tive no Ensino Médio.

Mogi é uma Cidade antiga – e nem vou entrar no mérito de muitos prédios históricos desaparecerem da noite para o dia e ninguém tomar uma atitude quanto a isso – e as ruas da área central são estreitas, algumas de paralelepípedo. Todo mundo sabe disso, mas até hoje não se tomou uma atitude efetiva para criar rotas alternativas e desviar o trânsito pesado da área central.

No ano passado, fazendo uma matéria no Santuário do Senhor Bom Jesus (também conhecida como Igreja de São Benedito), a guardiã do Santuário, dona Aparecida Manna, explicou que todo o dinheiro arrecadado durante a festa é investido na conservação do prédio. Bom, isso também não é novidade.

O que talvez muitos não saibam é que o pesado trânsito da Rua Doutor Ricardo Vilela tem reflexo direto nos problemas estruturais da antiga igreja. Será que não ocorre o mesmo com o Teatro Vasques e Casarão do Carmo, na Rua Doutor Corrêa, só para citar mais dois exemplos?

Eu não entendo nada de engenharia de tráfego, urbanismo e obras, mas será que as pessoas que entendem não teriam alguma ideia para melhorar o trânsito na área central?

A Rua Doutor Ricardo Vilela, onde está localizada a sede de O Diário de Mogi, por vezes mais parece uma pista de corrida, apesar dos semáforos instalados. Quando caminhamos pelas calçadas, temos a nítida impressão de que os ônibus vão nos levar junto, tamanha a velocidade e proximidade que passam da calçada.

Voltando ao meu professor de Física, o José Carlos, tudo depende. Quando estamos caminhando, o nosso ponto de vista é o de pedestre, então somos capazes de perceber melhor os erros dos motoristas. Mas, e quando nós é que estamos dentro do carro, como motorista ou passageiro? Daí é que percebemos: os mogianos simplesmente adoram andar no meio da rua.

É verdade. A calçada está livre mas… olha lá o pedestre caminhando pela rua. E ele ainda xinga quando o carro passa. Será que isto ainda é um velho hábito de cidade pequena, de tempos antigos, quando não havia tantos veículos circulando pelas ruas? O resultado disso tudo se tornou uma constante no noticiário: acidentes e mais acidentes. Batidas, atropelamentos… Terrível.

O trânsito também comporta uma espécie de guerra dos sexos. De tanto serem subjugadas, as mulheres se tornaram implacáveis. Não dão passagem para ninguém, especialmente aos homens. É o troco pelo tal de “mulher ao volante, perigo constante”. Mas o melhor troco é que algumas seguradoras cobram menos das motoristas – e chegam até a livrá-las da franquia – porque elas são mais prudentes atrás do volante.

Ainda assim, muitos homens ainda rezam pela cartilha ultrapassada de que elas não sabem dirigir. Jogam o carro em cima dos outros, xingam mesmo quando estão errados. Acreditam que o volante é uma extensão da sua masculinidade.

No final das contas, o que falta é educação. Para homens e mulheres. Infelizmente, é algo que não está ligado ao gene X ou Y. É uma questão de respeito. Ou, como diria o professor José Carlos, seria uma questão de ponto de vista?


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