Bem cultural

Sábado à noite em Mogi das Cruzes. O local é o auditório do Centro Municipal de Formação Pedagógica Professor Bóris Grinberg (Cemforpe). Já se passaram alguns minutos da hora marcada – 20 horas, para ser mais exata – mas ainda assim as pessoas continuavam chegando. Sobre o palco, as cadeiras azuis se misturavam aos instrumentos musicais. Violinos, baixos e violoncelos, estes últimos repousando inertes no chão.

Quem poderia prever, diante deste cenário, o que estaria por vir?

Poderia ser uma noite qualquer, mas não era. Era a abertura da temporada 2010 de concertos da Orquestra Sinfônica de Mogi das Cruzes, que este ano reverencia a obra de Heitor Villa-Lobos. E havia convidados especiais: a Orquestra Sinfônica Jovem Minha Terra Mogi e os músicos Humberto Ramos, na marimba, e Hudson Nogueira, ao saxofone.

Os concertos regidos pelo maestro Marcelo Jardim já se tornaram referência não somente pela qualidade do trabalho dos músicos, mas também pelo empenho de seu regente em contextualizar o repertório, explicando para o público um pouco mais sobre cada uma das obras executadas e seus compositores.

E se o homenageado da temporada é Villa-Lobos, mundialmente reconhecido por suas Bachianas Brasileiras, antes de mais nada é preciso saber um pouco mais sobre quem as inspirou: Johann Sebastian Bach. A execução do Concerto de Brandemburgo N. 3 foi energia pura.

A noite seguiu com Prelúdio das Bachianas Brasileiras N. 4 e Ária e Cantilena das Bachianas Brasileiras N. 5, de Heitor Villa-Lobos, Concerto para Marimba e Orquestra de Corda, de Ney Rosauro, Miniaturas Brasileiras, de Hudson Nogueira.

Pausa para os agradecimentos. Entre tantos, o maestro Marcelo Jardim fez uma confissão: nunca agradeceu em público a mulher, Simone, responsável por tantos arranjos e pelo companherismo, na música e na vida. Talvez tenha sido um dos momentos mais emocionantes da noite, que seguiu com um pout-pourri de Tom Jobim, denominado O Tom do Amor, com Falando de Amor, Insensatez, Meditação, Eu Sei Que Vou Te Amar e Se Todos Fossem Iguais a Você.

O Trenzinho Caipira de Villa-Lobos, deixado para o bis, concluiu uma viagem musical que teve como ponto de partida o erudito, percorreu caminhos que provam que a boa música dispensa rótulos e, pode, sim, ser popular.

E volto a bater na mesma tecla que Mogi tem uma riqueza cultural que ainda carece de ser mais valorizada por nós, mogianos. O Cemforpe estava cheio, sim, mas foi apenas por uma noite. Há uma temporada inteira pela frente, uma vida inteira para usufruirmos e, principalmente, apreciarmos o que há de bom na nossa terra.

A Orquestra Sinfônica de Mogi das Cruzes é um bom exemplo de bem cultural que é muito bom por seu trabalho e por seu significado, mas é melhor ainda por ser nosso.

Para quem não teve a chance de acompanhar este primeiro concerto, fica aqui um convite para as próximas apresentações que virão, e que certamente serão divulgadas por este jornal, assim como todas as iniciativas que valorizam a nossa cultura.


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