A tal da felicidade

Por estes dias, saiu uma entrevista enorme de Brad Pitt a uma revista norte-americana. E foi uma entrevista “daquelas” em que ele fala tudo o que pensa, o que sente. Você provavelmente ouviu falar desta matéria, que ganhou destaque porque supostamente ele revelou que era infeliz ao lado de sua primeira mulher, a atriz Jennifer Aniston.

É complicado quando um cara como o Brad Pitt admite esse tipo de coisa, a infelicidade no casamento, porque todo mundo espera que um cara bonito, rico, famoso e (pelo menos a gente pensa assim) bem resolvido seja feliz. Poxa, mas ele é humano, não é? Todos nós passamos por isso, em algum momento de nossas vidas ou relacionamentos.

Sentimos uma insatisfação, um vazio, como se algo estivesse faltando ou completamente fora do lugar. 

Daí algumas ideias me ocorreram e eu gostaria de dividi-las com você. A primeira é essa mania que a gente tem de condicionar a felicidade. Às vezes, são condições tão absurdas e inatingíveis que é como se a gente se esforçasse para nunca chegar lá. “Se eu emagrecesse 10 quilos, eu ficaria feliz”. “Se eu ganhasse uns 30% a mais, eu ficaria feliz”. “Com aquele cara, eu seria feliz”. E por aí vai. Daí, você emagrece 10 quilos, ganha 30% a mais e casa com aquele cara.

E a realidade é bem diferente daquilo que você imaginava quando condicionava a sua felicidade a isso.

 Porque se você emagrece 10 quilos (ou mais), sempre vai ficar com a impressão que poderia perder mais uns dois quilinhos. Se ganha 30% a mais, começa a gastar um pouco mais e, certamente, começa a ter ainda mais responsabilidades. E o cara? Bom, quando a gente imagina alguém, imaginamos do nosso jeito, conduzimos a história, sempre para um final feliz. Esquecemos que, no mundo real, o outro tem personalidade própria e que, às vezes, ela pode se chocar com a nossa.

O segundo ponto é que somos educadas para pensar em felicidade como uma finalidade. Anos e anos de contos de fadas (então eles viveram felizes para sempre) fizeram com que a gente pensasse em felicidade como algo que a gente só encontra no futuro e não no presente. No presente, você tem de enfrentar bruxas, dragões e madrastas más, alegorias que na infância parecem assustadoras, mas que não chegam nem aos pés de uma realidade que tem estresse, violência, engarrafamentos e empurra-empurra no transporte público. Só para começo de conversa.

Pior ainda quando você descobre que o “para sempre” não é bem assim… Porque, convenhamos, as pessoas só conseguem ser irritantemente felizes o tempo inteiro e “para sempre” em redes sociais. E, lá no fundo, a gente sabe que não é real.

Então, chegamos ao terceiro e último ponto desta conversa. Naquela entrevista que eu falava lá no começo, Brad Pitt disse que a felicidade é supervalorizada. Então, ele prefere se definir como um homem satisfeito. Gostei disso. Na minha opinião, estar satisfeito é muito mais fácil e tão bom quanto estar feliz. Você tira todo o peso da obrigatoriedade de ser feliz e consegue se satisfazer com o seu dia a dia, com o presente, com suas pequenas conquistas. Consegue ter mais alegria ao encontrar um lugar para se sentar no metrô (ônibus ou trem), de encontrar um novo caminho que te faz fugir do trânsito, de conseguir juntar dinheiro para se dar um presente bacana.

Parece pequeno, não? Se contentar com pouco. Não é. Isso se chama realidade. É valorizar o que você tem, é fortalecer a sua autoestima de maneira que as pequenas decepções sejam passageiras, indolores e não deixem marcas. É fazer planos, mas com eles criar estratégias para chegar lá. Pense nisso.

Texto publicado originalmente no site Tempo de Mulher

 


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