Nojento.
O post anterior explica bem as mil e uma utilidades desta palavra.
Mas, neste, a idéia é contar uma situação, no mínimo, nojenta.
Há uns anos fui ao cinema com o Juliano, meu primo, para ver O Pianista, no Belas Artes, em Sampa. Quem já assistiu sabe que este filme é lindo, maravilhoso e sério. Ele nos absorve de uma maneira… Pois é. Eu estava absorvida por aquela história quando, no meio da exibição, um cara se sentou ao meu lado.
Até aí, normal. Tem gente que muda mesmo de lugar durante o filme.
Não passou muito tempo e eu comecei a sentir um negócio estranho na minha perna. Primeiro, achei que fosse impressão. Não fiz nada. Mas, o negócio continuava, e eu comecei a estranhar. Olhei pro cara ao lado para ver se ele estava passando a mão na minha perna. Não era. As duas mãos estavam, visivelmente, sobre os braços da cadeira.
Será que era um bicho?
Estes cinemas antigos são meio estranhos, nunca se sabe…
Até o momento em que não aguentei e, que se dane se for um bicho. Se for, vai ter que me morder. Não tive dúvidas, fui lá e segurei o que estava se esfregando na minha coxa. Qual não foi a minha surpresa quando percebi que era o pé do cara.
Incrédula da situação – e chocada, é óbvio – eu segurava o pé do cara e tentava entender o que ele tinha feito… Ele se sentou de uma maneira, sobre a perna, em que o pé era esfregado em mim. Nojento, nojento e nojento.
Mais nojento foi eu segurando o pé dele e cutucando meu primo.
Ju.
O Ju.
Juuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
O que é, Amanda?
Juuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu… esse cara tá esfregando o pé em mim!!!
Aí o Ju olhou o cara e mandou eu trocar de lugar com ele. Só assim para eu soltar o pé do tarado… O Ju ficou quieto na hora, para não causar escândalo durante um filme tão sério. Ficou muito puto. Foi a deixa do cara para colocar o sapato e sumir.
A exibição terminou um tempo depois, não conseguimos achar o cara. Tipo da coisa bizarra. Se eu voltei a esse cinema, depois disso? Sim, há pouco tempo. Mas garanti que havia pessoas conhecidas sentadas à minha direita e à minha esquerda. Só assim…
Texto publicado originalmente no blog A Complexa Arte de Ser Mulher
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