O que se passa na cabeça das pessoas enquanto assistem a um concerto? Bem, essa foi a primeira coisa que se passou pela minha cabeça durante Dança das Crianças – O Universo da Música pela Percepção Infantil, apresentado na noite de sábado pela Orquestra Sinfônica Jovem Minha Terra Mogi, no Teatro Vasques. Na verdade, enquanto a música era executada, o meu pensamento voou.
A primeira peça apresentada foi Violet’s Tango, do norte-americano Doug Spata. Antes, o maestro Marcelo Jardim contou um pouco sobre esta obra: Violet, filha do compositor, brincava, enquanto o pai a observava. A cena, apesar de simples, o levou a imaginar a passagem do tempo, quando a filha cresceria e se tornaria uma mulher, quem sabe até a dançar um tango. E, de repente, ele percebeu que já se sentia nostálgico com a simples possibilidade do amadurecimento da menina.
Naquele momento me ocorreu que, enquanto tudo isso acontecia na vida de Doug Spata, em momento algum ele seria capaz de imaginar que, anos depois, aquele momento tão íntimo, registrado em notas musicais, poderia estar sendo apresentado a um pequeno público que decidiu não se render a chuva, por uma orquestra jovem no Brasil, mais especificamente em Mogi das Cruzes. Para ser sincera, é capaz que Doug Spata nem saiba que existe uma cidade chamada Mogi das Cruzes.
E que nesta Mogi das Cruzes há um grupo de músicos, que talvez nem sejam tão mais velhos que sua Violet, que tiveram a chance de vivenciar o mundo da música e descobrir seu talento graças a um projeto que começou lá atrás, em 2001.
A noite, entretanto, não foi dedicada somente a Doug Spata e sua Violet. Foi dedicada também às cores, que trouxeram vida ao tradicional uniforme preto usado pelos componentes da orquestra. A interação com a plateia também transformou o concerto em uma grande brincadeira, no melhor sentido que essa palavra possa ter.
Como sempre, o maestro Marcelo Jardim fez questão de contextualizar cada uma das músicas apresentadas. Afinal, da mesma maneira que a orquestra é jovem – literalmente, já que foi fundada em 2003 -, nós, o público, também ainda estamos aprendendo sobre seu repertório e os compositores que o integram.
Este ano, o grande homenageado da temporada da Associação Orquestra Sinfônica de Mogi das Cruzes é Heitor Villa-Lobos. E não é que todo mundo aprendeu que a música que muita gente acreditava chamar O Trenzinho Caipira chama-se, na verdade, O Trenzinho do Caipira? E eu me incluo aí. Sem contar a quantidade de coisa que Villa-Lobos fez pela nossa música.
Ir a um concerto nos dá a oportunidade de fazer muito mais do que ouvir boa música. É a chance de aprendermos sobre a nossa história, sobre quem somos e como chegamos até aqui.
Bem, se depois de ler este texto você sentiu vontade de cultivar seus próprios pensamentos a respeito da apresentação da Orquestra Sinfônica Jovem Minha Terra Mogi, hoje é seu dia de sorte. O grupo, sob a direção musical de Simone dos Santos (como sempre, incrível) volta ao palco do mesmo Teatro Vasques no próximo dia 21, uma sexta-feira, às 20 horas, com Dança das Crianças. Vale a pena prestigiar e incentivar estes jovens talentos, que também são nossos.
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