A vida inteira ouvi dizer que “agosto é o mês do desgosto”. Nunca soube que houvesse uma verificação científica desta frase, que fosse além da rima. Para muitos, entretanto, o oitavo mês do ano parece ser tão cruel quanto os outros 11. São 31 dias para acreditarmos que tudo de ruim pode acontecer.
Mas, por que agosto seria o mês do desgosto? Encontrei a resposta em um site educativo, o Universia (www.universia.com.br), e parece que esta superstição é mais antiga do que eu imaginava. Segundo o texto, ninguém sabe explicar quando ou como começou esta história mas, na época das grandes navegações, as mulheres portuguesas evitavam de se casar neste mês, pois era a época em que as expedições zarpavam e, desta forma, as noivas ficavam sozinhas na lua de mel, quando não se tornavam viúvas.
A crença foi trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses e, até hoje, são raríssimos os casais que se arriscam a oficializar a união em agosto.
Há outros países onde foram criadas uma série de crenças – boas ou más – em torno do mês de agosto. Na Alemanha, por exemplo, agosto é o mês das noivas. Vale lembrar que, nesta época do ano é alto verão no Hemisfério Norte, o que provavelmente torna a paisagem e o clima muito mais agradáveis.
Na Argentina, por outro lado, o Universia explica que muitas pessoas acreditam que não devem lavar os cabelos durante este mês, pois isso significa chamar a morte. Se lavar a cabeça em agosto na Argentina atrai mesmo a morte, eu não sei. Mas que o cheiro deve afastar muita gente, ah, isso deve.
O site ainda lista alguns fatos negativos que ocorreram em agosto e que, de certa forma, poderiam justificar a superstição em torno de “agosto, o mês do desgosto”. Entre eles estão o massacre de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, quando Catarina de Médici ordenou que os protestantes fossem assassinados na França. No mesmo dia, em 1910, o Japão invadiu a Coreia.
Em 1º de agosto de 1914, começou a Primeira Guerra Mundial. Em 2 de agosto de 1932, Hitler assumiu o governo da Alemanha. Sete anos depois, no mesmo mês de agosto, todos os atos do Führer resultaram na Segunda Guerra Mundial, oficialmente iniciada em 1º de setembro.
Antes de terminar, entretanto, esta guerra deixou um saldo chocante entre os dias 6 e 9 de agosto de 1945: mais de 200 mil pessoas foram mortas com o lançamento da bomba atômica nas cidades de Hiroshima e Nagazaki. Isso tudo sem contar as incontáveis mortes de judeus em campos de concentração, quando todos os meses entre 1939 e 1945 eram agosto.
O genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial resultou na criação do Estado de Israel, em 1948, dando início, desde então, a um conflito entre judeus e palestinos, que perderam suas terras. Em Israel, Cisjordânia, Faixa de Gaza e outros países árabes, todos os dias, desde então, também têm pertencido a agosto.
No Brasil, Getúlio Vargas cometeu suicídio em 24 de agosto de 1954. Juscelino Kubitscheck foi vítima de um acidente de carro em 22 de agosto de 1976.
Depois de tanta coisa ruim, eu realmente espero que todos nós nos esforcemos para tornar este mês de agosto um pouco menos desgostoso para todos. E, quem sabe, aos poucos agosto melhore um pouco a sua fama entre os meses do calendário.
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