Mogi-São Paulo-Mogi

Faz parte do cotidiano de muitos mogianos. Ou fez, em algum determinado momento de suas vidas. Há algumas semanas voltou a fazer parte do meu, desde que voltei a estudar. São as viagens de ônibus na linha Mogi-São Paulo-Mogi. Semana passada, a caminho da Capital, comecei a obsevar e me lembrar das histórias que surgem nestas idas e vindas, e que muitas vezes não damos importância porque são tão comuns…

A primeira delas é que, quando viajo sozinha, sempre fico na expectativa para saber quem vai sentar ao meu lado. Em algumas ocasiões, cheguei a fazer cara de brava, pois sempre tem um engraçadinho que acredita que o ônibus é um excelente lugar para paquerar mulheres. Não é. Pelo menos não quando sou eu que estou sentada a seu lado.

Mas, muitas vezes já aconteceu de fazer amizades dentro do ônibus. Afinal, é um momento em que todos estão na mesma situação, na mesma hora e lugar. E sem poder se movimentar muito. Outra coisa boa é que, durante este tempo, é possível colocar a leitura em dia. Sempre levo um jornal, revista, livro… Só quando é cedo demais e ainda não há luz o suficiente, aproveito para virar para o lado e…dormir. Duro mesmo é que a gente fica completamente exposto, inclusive quando babamos. Mas, cá entre nós, as melhores sonecas são aquelas em que até babamos…

Por ser um espaço público e limitado, acredito que algumas normas de etiqueta bem que poderiam ser estabelecidas para as viagens de ônibus. Perfumes fortes, por exemplo, deveriam ser banidos indefinidamente. Toda vez que alguém entra com aquele cheiro adocicado – e não podemos abrir a janela, por causa do ar-condicionado – eu imagino como os construtores de aviões são sábios ao instalarem máscaras de oxigênio nas naves. Essa vai para a caixinha de sugestões das empresas transportadoras: máscaras de oxigênio para quem não consegue respirar por conta passageiros que abusam do perfume.

Outra regrinha que seria interessante é: inclinou o banco, retorne-o ao lugar quando descer. Para quem está sentado atrás, fica quase que impossível levantar-se de seu próprio banco. Dê passagem para os outros. Sente-se em sua própria poltrona – elas são numeradas, acredite – e converse o quanto quiser, no celular ou com seu companheiro de viagem, mas em um tom baixo, porque há outras pessoas em volta que não estão interessadas em suas brigas com namorados ou relatórios médicos, entre outras coisas.

Aliás, semana passada aconteceu algo bizarro em meu retorno para Mogi. Havia alguém dentro do ônibus, que eu não consegui identificar, que estava com o som ligado. Não sei se era um rádio, um celular, enfim. A pessoa não estava usando fone de ouvido e o ônibus inteiro foi obrigado a ouvir as músicas. Que eram péssimas, obviamente. Será que o leitor(a) já reparou que quando alguém passa de carro, no som no último volume, a música é sempre horrível? Nunca testemunhei ninguém ouvindo música de bom gosto em volume alto.

Daí você me questiona: “Tudo bem, mas gosto é relativo. Como fica isso?” Fica que, lá no fundo, a gente precisa ter consciência de que o problema não é bom ou mau gosto, mas presença ou ausência de educação e senso de coletividade. “O espaço de um termina quando começa o do outro”, lembra?


Publicado

em

,

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *