Reencontro

A cada dia que passa, me convenço mais de que que nós, mogianos, não conhecemos nossa própria terra, nossa própria cultura. O que me despertou isso, em primeiro lugar, foi a história do Expresso Turístico, quando foram anunciados três roteiros a serem explorados pelos futuros visitantes: Centro Histórico, Ecológico e Turismo Rural – Circuito das Flores. Muita gente se espantou com a possibilidade de a Cidade contar com tanta coisa para se ver e se fazer.

Para quem não se lembra bem, o roteiro pelo Centro Histórico propõe visitas a alguns prédios antigos de Mogi, como o Museu Histórico Professora Guiomar Pinheiro Franco – um casarão na Rua José Bonifácio onde morou a família Pinheiro Franco e que guarda móveis e outros objetos originais do século 18, além de fotografias e outros documentos.

Isso sem contar as igrejas das ordens Primeira e Terceira do Carmo – nas noites de domingo, o Coral do Carmo costuma ensaiar na Ordem Primeira, encantando o público que os acompanha. A música também toma conta do Centro de Cultura e Memória Expedicionários Mogianos, local de ensaios do Coral 1º de Setembro. Há, ainda, o entorno da Praça Oswaldo Cruz, em frente ao Ciarte, onde ocorrem apresentações e exposições. Faltou o Teatro Vasques, que permanecerá fechado por mais outros três meses, até ser revitalizado. Ou ainda o Casarão do Carmo, onde hoje funciona o Museu Visconde de Mauá. São outros locais que guardam muitas histórias da Cidade.

No Parque das Neblinas há uma verdadeira reserva natural mantida pelo Instituto Ecofuturo, com aventuras para todos os gostos. Assim como o Ciruito das Flores, que revela toda a habilidade dos mogianos para cultivar flores – o Bairro do Itapety é a maior região produtora de orquídeas do Brasil – e frutas.

E estes são apenas os três primeiros roteiros – dentre outros tantos que ainda deverão ser elaborados – que serão oferecidos para os visitantes do Expresso Turístico. Visitantes? Sim, mas, e você, caro(a) leitor(a) mogiano(a). Quantos desses lugares você já conhece? Por quantos deles você passa diariamente, sem prestar atenção ou reconhecer sua importância?

Infelizmente o brasileiro, de uma maneira geral, tem o péssimo hábito de não valorizar o que tem. Nossa história tem inúmeros exemplos de pessoas que só alcançaram o reconhecimento no Brasil depois de fazerem fama lá fora. Lamentavelmente, em Mogi das Cruzes não tem sido muito diferente.

Afinal, nem só de Festa do Divino Espírito Santo se vive. Mesmo que sua importância seja inegável. Mesmo que ela mobilize fiéis e turistas. E mesmo que hoje em dia cada Distrito tenha a sua. Nossa Cidade tem tantos artistas talentosos, expressões culturais e populares riquíssimas… Mas que permanecem desconhecidas de sua própria gente, a não ser vez por outra, quando aparecem um pouco mais.

Mogi tem uma grande vocação para a cultura. Basta olhar para trás para perceber que, apesar de todos os obstáculos, nossos músicos, bailarinos, artistas plásticos, atores e poetas estão cada vez mais inspirados. O que falta? Falta descobrir uma forma de tornar a vocação uma realização, independentemente de fatores externos. E, mais do que tudo, de ir ao encontro do público, porque sem o público, o artista permanece sozinho. E todos nós continuamos no escuro.

 


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