Outro dia li na internet que os blogs, aqueles diários virtuais, para quem não conhece, estão perdendo espaço entre os jovens que acessam a rede mundial de computadores. Não sei se é verdade, até porque o universo virtual é grande demais para ser avaliado por uma pesquisa que parte de uma pequena amostra de usuários. Enfim.
De qualquer maneira, os blogs têm lá o seu valor. É lá que as pessoas despejam seus pontos de vista sobre o mundo e a realidade em que vivem. Há alguns anos, eu criei um destes blogs para escrever sobre as complexidades – e insconstâncias – do universo feminino. Tudo com muito bom humor. O texto que segue está publicado lá, e foi escrito há três anos.
“Nada nessa vida tem a obrigação de dar certo. Quantas vezes eu já devo ter repetido essa frase, seja aqui, seja para os meus amigos? Nem eu sei. Só sei que o nosso erro é insistir tanto para que as coisas funcionem, para que tudo dê certo, que a gente simplesmente esquece de deixar as coisas acontecerem.
E, quando elas acontecem, a gente acha que é o tal do final feliz que chegou. Ledo engano. Não existem finais felizes. Na realidade, os contos de fadas sempre terminam em finais felizes, com o típico “e viveram felizes para sempre”, porque seus autores têm preguiça de contar o tremendo trabalho e tempo que uma relação exige.
Ou você acha que vai ser simples para uma mulher que passou 100 anos dormindo, foi criada por três fadas madrinhas, acabou de conhecer seus pais que praticamente a rejeitaram, e ainda foi perseguida por uma bruxa que queria eliminá-la da face da terra, começar um relacionamento com um príncipe valente? Aha. Tá bom. E viveram felizes para sempre? Que nada… Essa mulher vai ter muita coisa para resolver no consultório da terapeuta. Isso falando de A Bela Adormecida, que provavelmente vai querer dormir toda vez que aparecer um problema, sintoma típico da depressão.
Ou a Branca de Neve, que foi ignorada pelo pai, perdeu a mãe, teve uma bruxa como madrasta, foi levada para a floresta por um caçador, que tentou assasiná-la. Aí ela fugiu e foi morar com sete anões. Meu Deus, sete homens. Quer dizer, anões. Cada um com uma personalidade mais bizarra que a outra. Aí a bruxa vem, oferece uma maçã, que dieta que nada. Aí ela vai e morre. Então o príncipe aparece, dá um beijinho, e você quer acreditar que está tudo bem? A fila no consultório psiquiátrico dos contos de fadas deve ser enorme.
O meu ponto de vista é o seguinte: nós fomos condicionados a acreditar que o amor é a finalidade. Não é. É o início de tudo. E aí voltamos para a tal da história dos três porquinhos. De que é preciso investir tempo, paciência, dedicação para se construir qualquer coisa… e sempre manter em mente que não há obrigação de dar certo. Você sabe que está dando certo no dia a dia, não em momentos isolados de ‘e viveram felizes para sempre’.
Mas, sob um ponto de vista do mundo real, gosto da frase que ouvi certa vez: ‘e sobreviveram felizes quando não brigavam’”.
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