Esportes

Assunto que ganhou grande destaque no noticiário nas últimas semanas, o suposto acidente de Nelsinho Piquet no Grande Prêmio de Cingapura finalmente parece ter chegado a uma conclusão. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) resolveu punir o ex-chefe da escuderia Renault, Flavio Briatore, banindo-o da Formula 1 e, inclusive, proibindo-o de empresariar pilotos.

A Renault, por sua vez, recebeu apenas uma advertência, correndo o risco de ser banida em caso de reincidência. Já os pilotos Fernando Alonso e Nelsinho Piquet foram inocentados, o que faz com que muitas pessoas passem a questionar o conceito de “inocência” aí aplicado.

Para quem não se lembra como tudo aconteceu, Nelsinho Piquet bateu o carro contra um muro durante o Grande Prêmio de Cingapura, em 27 de setembro de 2008. No ponto onde ele se chocou, não havia espaço para que os outros carros passassem com a presença dos veículos de resgate. Moral da história: Fernando Alonso foi beneficiado, que venceu a prova.

Quase um ano depois, após uma série de desentendimentos, o piloto brasileiro foi demitido da escuderia e, subitamente, resolveu denunciar o caso à Federação. Vingança? Quem poderá julgar? Na verdade, o que muitos se questionam é o que levou Nelsinho Piquet a aceitar forjar um acidente em que ele poderia ter realmente se machucado, como aconteceu com seu pai, Nelson Piquet, em 1992.

Mais do que isso, e se ele tivesse machucado outros pilotos, como aquele acidente besta entre o Rubens Barrichello e Felipe Massa, que deixou o brasileiro fora das pistas pelo resto da temporada?

Na verdade, o que mais incomoda em toda essa situação não é o esporte em si, mas a questão moral. A mentira, a premeditação, o egoísmo. Coisas que, em momento algum, fazem parte da ética esportiva. Quantas vezes não lemos ou ouvimos dizer que “o importante não é ganhar, o importante é competir”?

Infelizmente, não tem sido bem assim em muitos esportes em que há representantes brasileiros, e não é somente o automobilismo. Parece que, em vez de competitividade, hoje em dia a preocupação está no retorno de investimentos, na fama, ainda que passageira.

O caso de Nelsinho Piquet é apenas mais um. Quem não se lembra, no início de agosto, quando a Confederação Brasileira de Atletismo anunciou que cinco atletas brasileiros foram flagrados no exame antidoping e, consequentemente, impedidos de participar do Mundial de Berlim?

Bruno Lins Tenório de Barros e Jorge Célio da Rocha Sena, que competiam nos 200 metros e no revezamento 4 x 100 m, Josiane da Silva Tito, do 4 x 400 m, Luciana França, dos 400 metros com barreiras e Lucimara Silvestre, do heptatlo, foram descobertos em um exame surpresa. Surpresa para todos que acompanham o noticiário esportivo e lamentam como o nome do Brasil está sendo representado. Isso tudo relacionado a um País que sediará uma Copa do Mundo em 2014 e que é candidato a sediar os Jogos Olímpicos em 2016.

Antes de mais nada talvez seja melhor que algumas pessoas comecem a rever seus conceitos. Quando se está preocupado demais em vencer, todo o resto parece perder o sentido. E o exemplo que fica aos futuros esportistas coloca em risco as conquistas que nossos atletas um dia poderão alcançar. O tempo de rever isso é agora.


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