Importante espaço comercial da cidade de São Paulo, o Mercado Municipal recentemente ganhou uma nova banca. Lá, entretanto, não serão comercializados produtos hortifrutigranjeiros, especiarias, carnes ou queijos. Tampouco o cliente encontrará bebidas, doces ou pastéis de bacalhau e sanduíches de mortadela. O novo box do Mercadão paulistano vai oferecer música, de graça. Choro, para ser mais exata.
Até dezembro, sempre aos domingos, a partir das 11h30, o público poderá conferir apresentações musicais, além de visitar um dos lugares mais bacanas da Capital. A boa ideia começou a tomar forma no começo de maio, quando foi realizada a Virada Cultural Paulista. Com a aprovação do público, bastou um pouco de boa vontade para transformar um ato isolado em temporada de sucesso: segundo informações da Associação da Renovação do Mercado Paulistano (Renome), a plateia chega a 500 pessoas por semana. Ganham os frequentadores, com uma boa opção de lazer, ganham os músicos, que contam com um espaço a mais para mostrar seu trabalho.
Inaugurado em 25 de janeiro de 1933, o local levou seis anos para ser construído, ocupando uma área de 12,6 mil m2. Além de uma belíssima arquitetura, com projeto desenvolvido pelo Escritório Ramos de Azevedo, o prédio guarda histórias e personagens. Um lugar onde há muito para se ver e fazer em 291 boxes, basta ter um pouco de espírito curioso e disposição. São tantas cores, aromas, sabores e sons… que, de repente, me lembrei que o nosso Mercado Municipal, aqui mesmo, em Mogi das Cruzes, também mereceria uma atenção especial.
Não sei você, caro(a) leitor(a), mas eu tenho um carinho muito especial pelo nosso Mercadão. Mesmo ele não sendo tão grande – ou tão conhecido – quanto o de São Paulo, sempre é possível descobrir algo de novo em seus boxes. O lugar também ocupa importante espaço na história da Cidade. O prédio que hoje conhecemos, no Centro, foi inaugurado em 1966, depois que a Prefeitura optou por demolir as primeiras instalações, ocupadas entre 1912 e 1960.
Na época, a justificativa dada se resumia à falta de condições de higiene e conforto. Mas, cá entre nós, eu bem que gostaria de ter conhecido o outro prédio… Durante as obras, os comerciantes foram transferidos para o antigo Largo 1º de Setembro.
Quem o conhece apenas do lado de fora, sem uma identidade definida, mal sabe o que guarda em seu interior. São as mesmas cores, aromas e sabores do Mercado de São Paulo, senão ainda mais coloridos, cheirosos e saborosos. Porque ele é nosso. Mas, é verdade, faltam os sons. Poderia ser o choro, que nós também oferecemos de boa qualidade, com a turma de seu Eurico do Cavaco, que costumava tocar na barbearia do seu Julinho Borba, no Shangai. Ou poderiam ser nossos músicos mogianos, com seus trabalhos autorais, produtos da terra, assim como os hortifrutigranjeiros das bancas… É algo a se pensar, especialmente em tempos de Expresso Turístico.
Daí fica a lição de Henrique Pacheco, diretor da Renome, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo: “Temos verba até dezembro, mas a ideia é buscar patrocínio para colocar o programa na agenda cultural da cidade. O Mercadão não é apenas um espaço gastronômico. É um polo turístico que atrai gente do Brasil e do exterior, onde atividades culturais podem ser desenvolvidas”. E, em agosto, eles vão abrir espaço para tardes de autógrafo com escritores aos sábados. É pouco ou quer mais?
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