Muitas vezes, quando estou pensando sobre o que vou escrever neste espaço semanal, sou acometida por aquele “branco” total. Em outros momentos, tenho algumas ideias, mas nenhuma delas parece estar madura o suficiente para serem transformadas em palavras. Fico de mãos atadas. Há momentos, ainda, em que minhas mãos ganham vida própria sobre o teclado do computador, percorrendo as letras com uma rapidez impressionante. Só depois do texto pronto e que eu dou uma lida para verificar se não cometi nenhuma heresia, seja ortográfica, de concordância ou de conteúdo. Infelizmente, há ocasiões em que os erros passam e eu fico me condenando.
Na faculdade, eu me lembro que os professores atribuíam a Carlos Drummond de Andrade a seguinte frase: “Escrever é a arte de cortar palavras”. Bem, eu não tenho certeza de quem disse ou escreveu isso, já que quando eu joguei este trecho no Google para verificar quem seria o verdadeiro autor, retornaram respostas como Graciliano Ramos e até Ernest Hemingway.
Mas, fato é que, para quem escreve, todas as palavras são importantes. Cortá-las é como cortar uma parte importante de si próprio. Pode parecer vaidade, mesquinharia ou egoísmo, mas tente se imaginar cortando um braço e você saberá como um escritor se sente. Isso, claro, se colocando no lugar do escritor.
No lugar do leitor, a história é outra. Às vezes lemos um livro de 500 páginas conscientes de que 200 teriam sido o suficiente para contar aquela mesma história, e que o resultado teria sido muito mais eficiente.
O fato de eu gostar de escrever me tornou uma leitora muito chata. Erros ortográficos, de concordância, de tradução… textos que vêm e vão, que são mal escritos… Isso faz com que eu desista de um livro nas primeiras páginas, independentemente de eles serem um clássico ou um “best-seller”.
Há alguns dias, entrevistando o bibliotecário Auro Malaquias dos Santos, da Biblioteca Municipal Benedicto Sérvulo de Sant’Anna, aqui de Mogi, ele me disse que a imagem das bibliotecas são manchadas por uma ideia errônea, de que ali é apenas um local de estudos, de silêncio, que as pessoas acabam associando a uma negativa sensação de obrigatoriedade.
Quando, na verdade, a biblioteca deveria ser vista como um local de prazer, uma vez que os livros têm um verdadeiro universo a oferecer. Com suas histórias você pode viajar no tempo e no espaço. E, melhor que um filme, como explicou a educadora Cristiane Fernandes, você cria em sua imaginação cenas e figurinos que nenhum diretor de cinema seria capaz de criar. É algo só seu. Por isso mesmo é inesquecível.
Quanto mais lemos, mais criativos nos tornamos. Nossa capacidade de “ler” o mundo além das palavras aumenta consideravelmente. O vocabulário, as referências, o comportamento. Passamos a perceber que existe muito mais em nosso dia a dia do que enxergaríamos antes de ler determinado livro.
Pode parecer besteira, mas às vezes um livro é capaz de mudar a vida das pessoas. Imagine, então, uma biblioteca. É algo para se pensar.
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