Mais um Natal

Geralmente, nesta época do ano, estamos todos um pouco enlouquecidos. Trabalhos para finalizar antes do recesso de fim de ano, presentes para comprar, trânsito complicado. E filas. Filas para estacionar, filas no caixa do supermercado, filas para ver o Papai Noel. Daí, parado no trânsito ou na fila, você começa a lembrar de tudo aquilo que tem para fazer antes que o Natal chegue ou que o ano termine. Aquela certeza absoluta de que não vai dar tempo se você ficar preso, ali, bate forte. E o estresse explode.

A reação que se segue geralmente não é bonita. A pessoa estressada buzina enlouquecidamente, grita com os vendedores, passa por cima de outros clientes. Fica tão presa a seus problemas que se esquece como tudo aquilo começou.

Frescura? Não mesmo. Segundo uma pesquisa feita pela International Stress Management Association (ISMA Brasil), é possível experimentar um aumento de até 75% no nível de estresse no período que antecede as festas de fim de ano. O estudo foi feito em Porto Alegre (RS), com 678 pessoas entre 25 e 55 anos. Ou seja: já tem comprovação científica.

Eu mesma admito que tenho meus momentos de estresse pré-Natal. Ontem mesmo, enquanto escolhia um presente em uma loja aqui de Mogi, fui embora depois que as funcionárias ligaram o som em um volume absurdamente alto. Pedi duas vezes para abaixarem o som, que estava muito alto. Antes de pedir a terceira, fui embora. Aos donos de lojas, fica a dica: som alto e barulhento afasta os consumidores, não o contrário.

E com toda essa história de estresse, dia desses assisti ao filme O Milagre da Rua 34. A versão original, de 1947, com Edmund Gwenn, Maureen O’Hara e uma pequena, mas encantadora Natalie Wood (que voltou a ser assunto recentemente, por conta de novas pistas sobre sua misteriosa morte). A história gira em torno de um homem que acredita ser Papai Noel. Ou Kris Kringle, seu nome verdadeiro. E, contratado por uma loja de departamentos para ser o Papai Noel das crianças, começa a recomendar aos clientes onde eles podem encontrar determinados presentes por preços melhores. A loja enxerga, aí, uma oportunidade, uma estratégia de marketing para vender ainda mais.

Depois, para provar que não é maluco, e ser internado em um hospício, Kris Kringle se vê em um julgamento. Na verdade, é a crença em Papai Noel que está em julgamento. Você teria coragem de dizer, ou melhor, afirmar a uma criança que Papai Noel não existe, em plena época de Natal?

No filme, Kris Kringle reclama – lá em 1947 – sobre os rumos que o Natal está tomando: a comercialização de tudo, a necessidade de comprar acima do espírito natalino. Puxa, se em 1947 já estava assim, imagine o que ele diria hoje, em 2011…

Nessa época eu sempre me pego pensando nessa coisa de comércio x espírito natalino. De certa forma, eu acredito que presentear alguém é uma forma de manter o espírito natalino vivo. É uma das maneiras como nós expressamos nosso carinho pelas pessoas. E não precisa ser nada caro. Um cartão, um telefonema, uma lembrancinha… São formas de a gente mostrar que aquela pessoa tem significado em nossas vidas. E o valor que pagamos não expressa o valor da pessoa em nossas vidas, pois é impossível precificar amor, carinho, amizade… Chavão ou não, o que realmente vale é a intenção, a lembrança.

Então é isso. Vamos tentar controlar nosso estresse de fim de ano, lembrar do espírito natalino e… Bom, e feliz Natal!!!


Publicado

em

,

por

Tags:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *