É incrível como o brasileiro tem uma capacidade ímpar de rir de si mesmo. Recentemente, em entrevista exclusiva concedida a O Diário, o humorista Evandro Santo, o Christian Pior do programa Pânico, fez um comentário sobre isso, quando questionado sobre a capacidade do público de levar na esportiva as brincadeiras que ele faz no programa.
“Ainda bem que o Brasil é muito propício para o humor, a piada. Ainda bem. Se você rir de si mesmo, você reconhece a sua humanidade, então é mais fácil viver. Pois errar é humano, perdoar é divino, mas se vingar é muito divertido!”, declarou ele, sabiamente.
Pode parecer até um lugar-comum, mas não é. De pequenos incidentes a grandes tragédias, tudo serve de matéria-prima para uma piada.
O que não se pode garantir, entretanto, é que este humor seja sadio.
Às vezes ele é maldoso, o chamado humor negro. Ainda assim, grande parte dos brasileiros prefere perder o amigo a perder a piada. Exemplos: na semana que passou, a expulsão da aluna Geisy Arruda, da Uniban, – decisão que logo foi revogada – perdeu espaço nos noticiários na noite da última terça-feira, por conta do apagão.
Pronto, logo surgiram as piadas. A primeira delas veio em forma de pergunta: teria sido o vestido rosa-choque de Geisy o fator que causou um curto-circuito e, consequentemente, o blackout?
Depois, tentaram encontrar um culpado. Só poderia ser um novato. Próxima piada: contrataram um novo estagiário em Itaipu. O chefe logo recomendou: antes de ir embora, apague tudo. O estagiário, inocente, simplesmente cumpriu a ordem, literalmente. Apagou o Brasil e o Paraguai.
Mas quem disse que todos ficaram no escuro? Madonna não. E se você pensa que é porque ela é rica, famosa, uma celebridade internacional, está enganado. Madonna não ficou no escuro porque ela namora Jesus Luz.
O grande paradoxo nisso tudo está no fato de que, ao mesmo tempo em que somos capazes de rir e fazer piada da desgraça alheia – e da nossa própria, também – somos incapazes de lidar com os pequenos incidentes sem nos estressarmos. Pior de tudo é que o estresse e o mau humor são contagiantes, independentemente do quanto você esteja sossegado, relaxado.
Seria interessante, então, se algum gênio da ciência pudesse transformar esta enzima, hormônio, neurônio ou seja lá o que nos desperta o bom humor, em uma cápsula, para ser ingerida diariamente, em doses homeopáticas, como uma fórmula de prevenção ao estresse, ao mau humor. Seria lindo. Aliás, mais do que lindo, seria um excelente negócio.
O bom humor tem reflexos nos mais variados setores de nossas vidas. Quando conseguimos encarar nossos problemas com otimismo, muitas vezes fica até mais fácil de resolvê-los. Isso quando não nos previne de arrumar outros problemas, que podem ser ainda maiores.
Isso sem contar que existe uma pesquisa que comprova que o riso é contagiante. E em muitos casos é mais forte do que qualquer cara feia, sem contra-indicações. E se nada mais der certo, lembre-se: quem ri por último, sempre ri melhor. Ou apenas demorou para entender a piada.
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