Árvore de Natal

Não, eu não estou me precipitando ao dar o título acima para a coluna desta semana. Afinal, o clima natalino já começa a tomar conta da Cidade, pelo menos nas lojas e na decoração do comércio. Neste momento do texto eu tenho dois caminhos a seguir. O primeiro é contar um pouco sobre a tradição das árvores natalinas na minha família. O segundo é questionar, provavelmente pela enésima vez, se o clima natalino antecipado está só nas decorações ou se também está na maneira como lidamos com os outros.

Talvez seja possível escrever sobre os dois porque, de certa maneira, um está ligado ao outro. Como? Eu explico. Em minha casa, nem bem novembro bate à porta e minha mãe já começa os preparativos para o Natal. Isso porque ela gosta de fazer tudo pessoalmente, sempre com o capricho que lhe é característico.

Pensa no cardápio, tem tudo anotado. O que fez – ou não – sucesso na ceia do ano anterior. Quantidades. Qual será a novidade do ano? Depois, planeja como vai rearranjar os móveis da sala, porque mesmo que a família seja grande – e o espaço não tão grande assim – ela faz questão de que a festa seja em casa e todos fiquem juntos.

Depois começa a decoração. Minha mãe tem caixas e mais caixas de enfeites, com festões, luzes e bolas coloridas, guirlandas, bonecos de neve e Papais Noéis de tudo quanto é jeito, colecionados ao longo dos anos. E a árvore. A árvore é uma atração à parte, mais do que isso, uma tradição cheia de significados.

Ela costuma contar que era seu pai quem montava a árvore de Natal quando ela era criança. E ela sempre gostou de ajudar. Depois de adulta, fez questão de manter a tradição em sua própria casa. Quando eu era menina, a árvore era prateada, com bolas vermelhas forradas com cetim. E o presépio era de papel. Sim, o presépio é muito importante na preparação do Natal, afinal, é o elemento que traz em si o verdadeiro significado desta festa.

Hoje, sou em quem a ajuda – ou tenta ajudar – na hora dos preparativos. Dou sugestões, saímos juntas para procurar isso ou aquilo, trocamos ideias, faço uma coisa ou outra. É um momento muito bacana, que temos a oportunidade de dividir algo a mais além do dia a dia corrido. Dividimos o trabalho, mas também histórias, lembranças, planos e sentimentos.

E, de repente, a minha casa está mais enfeitada do que uma loja. Tudo bem, talvez eu esteja exagerando, talvez não. Mas é um cenário bonito e, estar em contato diariamente com ele, faz com que eu me lembre o tempo inteiro do que esta época do ano significa. Daí eu me questiono se toda essa antecipação na decoração, que tem lá seu objetivo comercial, de despertar nas pessoas a vontade de comprar, também desperte boas lembranças e o tal do espírito natalino, que permanece adormecido nos demais meses do ano.

Será que as pessoas, ao verem uma guirlanda, uma árvore, luzes enfeitando casas ou todas as formas de Papais Noéis, também se lembram que podem ser mais generosas, pacientes, gentis, educadas, tolerantes, amigáveis, otimistas… É uma coisa a se pensar. Especialmente no momento em que estivermos enfrentando filas de lojas, brigando por uma vaga para estacionar, gritando uns com os outros em função do estresse característico do final do ano… Será que sobreviveremos mais um ano ao paradoxo do Natal?


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